Nosso apoio a OUTRA CAMPANHA

Reproduzimos a Declaração Pública da Outra Campanha lançada em Porto Alegre no último dia 15 de outubro, em Ato público no “Brooklin”, debaixo do viaduto da João Pessoa.

A OUTRA CAMPANHA é uma tática de luta independente dos governos, dos patrões e do sistema político da democracia burguesa. É uma luta que convida organizações populares, sindicais, movimentos sociais, coletivos e ativistas para unir forças e criar resistência pela base e fora das urnas! É um chamado urgente para que nenhuma luta fique isolada sob o fogo inimigo do ajuste e da repressão. A OUTRA CAMPANHA encoraja rebeldias e quer espalhar por todos os lados a revolta popular para azedar os planos da maquina mortífera do sistema capitalista.

Pois nada substitui um movimento popular forte que luta e se afirma nas ruas, nas greves, vilas, praças e ocupações. Os direitos, conquistas e mudanças que defendemos nunca nos foram presenteados pelo sistema. Só a ação direta popular pode nos garantir esses direitos e traçar um caminho sem retrocesso para vencer os que nos governam e exploram. É de baixo pra cima que se cria organização, se fortalece a participação e a democracia de base que são as pedras fundamentais de uma construção alternativa que começa desde já!

A OUTRA CAMPANHA é a defesa de um programa pelos direitos de trabalhadoras e trabalhadores; pelas liberdades de cultura, de associação e de manifestação; pela quebra dos monopólios da comunicação, dos bens comuns e dos serviços públicos; pelo combate ao racismo e o machismo; e pela autodeterminação dos povos.

Denunciamos firmemente a campanha estatal e midiática que usa a desculpa da violência e da guerra às drogas e ao crime para atacar pobres, destruir comunidades e realizar verdadeiro genocídio do povo negro por todo o país. Violento é esse discurso da segurança e também o discurso da crise que nunca vão servir como justificativa para tantas mortes. Violenta é a pauta desenvolvimentista que incita o massacre dos povos indígenas e do campo por fazendeiros e pelo exército, e que acoberta a destruição ambiental das mineradoras e do agronegócio.

Violência para o povo é o desemprego que joga 12 milhões na rua da amargura, nas filas do SINE ou em trabalhos precários, pelas esquinas da cidade tentando a “sorte”. Violência é a reforma trabalhista e da previdência que os patrões cobram do governo para cortar os direitos de quem trabalha e proteger seus lucros. Violência que parcela salários, que produz medos e angústias pelo que virá depois, que manda a classe trabalhadora apertar os cintos e chama os poucos direitos que restam de regalia

Violência é o ajuste envergonhado que começou pela mão do PT quando ainda governava, que mexeu no seguro-desemprego para juventude e reduziu salários da indústria metalúrgica com um plano de proteção dos empresários. Governo esse que firmou a lei antiterrorismo para deixar a arma repressiva apontada para as lutas sociais e reprimiu violentamente o levante de 2013.

Violência é o machismo que mata, mutila e traumatiza por minuto, o sexismo e todo tipo de opressão contra os modos de vida e as orientações sexuais de cada um. Toda onda reacionária que se levanta contra os direitos sexuais e reprodutivos, contra as cotas para negras e negros e indígenas, e contra as liberdades de cultura e educação. A mordaça da escola sem partido é uma violência, assim como a mutilação da reforma do ensino médio.

Violência é o sucateamento da saúde e da educação, a PEC 241 que congela por 20 anos os investimentos em bens e serviços que atendem a comunidade. A entrega das reservas do pré-sal para a exploração de grupos transnacionais. A liquidação de terras e o desmonte de toda proteção ambiental pra deixar passar a ação devastadora do capital. O desvio de metade do orçamento brasileiro para o pagamento de juros da dívida pública com banqueiros podres de ricos é uma violência brutal contra aqueles que reclamam um teto pra viver, empregos, melhor atendimento de saúde, escolas públicas de qualidade, transporte bom e barato, cultura e lazer, para ter direitos reais sobre a cidade.

Violência é também o poder concentrado e abusado de meia dúzia de famílias sobre os meios de comunicação. O controle privado dos empresários e das verbas publicitárias dos seus sócios sobre nossos direitos coletivos de expressão. É a polícia militar montada pela ditadura como reserva das forças militares golpistas, a autoridade corrupta e mortífera do Estado que conhecem como ninguém as favelas e periferias. Violência é o poder político centralizado nas mãos de um sistema de partidos, burocratas e empresários que se alternam para aplicar ajuste e repressão sobre os de baixo.

OUTRA CAMPANHA é a afirmação do poder popular como estratégia de construção política pela democracia direta das organizações de base do movimento popular, a autonomia e a solidariedade, a ação direta popular.

A política é uma arma letal quando a deixamos nas mãos de poucos. A política que nos convoca a se mobilizar, a participar e fazer luta, atua naquele espaço onde o lugar comum produz a vida da gente.

A OUTRA CAMPANHA não quer votos, nossa campanha convoca mobilização! Temos que confiar nas nossas próprias forças e unir com solidariedade os setores em luta. Não tem solução pra arranjar por cima. Não tem mágica dos políticos e burocratas de plantão. A saída imediata é a revolta geral nas ruas, espalhar as lutas para defender nossos direitos em todo terreno social. Passo a passo, pedra sobre pedra, fortalecer as organizações de base no local de trabalho, estudo, moradia, na cultura, na comunicação, pela questão negra e indígena, pela luta de gênero. Construindo e fecundando um mundo novo com novas relações sociais e pela união de baixo pra cima das lutas.

Nenhuma luta sem solidariedade!

Liberdade para RAFAEL BRAGA!

Quando os de baixo se movem os de cima caem.

Outra campanha pra construir poder popular.

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