ONTEM, HOJE E SEMPRE. Não esquecemos! Não perdoamos!

Frente a uma conjuntura de sistemáticos ataques, avanços conservadores e golpes de novo tipo sobre o conjunto dos(as) oprimidos(as), mais do que nunca, fazer Memória e lutar por Verdade e Justiça é fundamental. Aos que tombaram lutando contra a tirania, o arbítrio e a opressão, ontem e hoje, nem um momento de silêncio e uma vida de Luta! Aos lacaios, tiranos e algozes que mataram e seguem matando o nosso povo, nem um minuto de sossego!

A conjuntura que tem nos tocado viver traz semelhanças e reedita certas memórias que remetem ao período duro da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Tanto as novas versões de farsa midiático-jurídico-parlamentares construídas para dar ares de legitimidade à retirada de direitos, como a permanente violência do Estado (sobretudo sobre o povo pobre, negro e periférico) trazem para o presente aquele passado recente de 21 anos de autoritarismo que marcou com sangue de lutadoras e lutadores as páginas da história do país.

Nesse momento de ataques frontais desferidos pelos de cima, de assanhamento da direita mais agressiva que representa o que de mais podre pode haver na sociedade e de aumento da repressão e do encarceramento por parte do Estado, fazer memória da ditadura é muito mais do que olhar para o passado como algo distante, como quem olha um álbum de fotos envelhecidas. Fazer memória da ditadura é trazer para o presente os exemplos de luta e de resistência.

É perceber que o “entulho autoritário” daquele período não só se manteve intocado, mas é parte integrante do Estado. É ele que explica os assassinatos dos milhares de Amarildos, de Claúdias, de Eltons, de Maria Eduardas e de tantos outros/as jovens de periferia, na sua esmagadora maioria negra. É esse “entulho autoritário” que explica a sanha repressiva e autoritária das Polícias Militares contra as manifestações e as lutas populares, a exemplo das agressões e prisões que sofreram nossas companheiras e companheiros municipários de Cachoeirinha no último dia 30/03 durante manifestação em frente a Câmara de Vereadores em meio a greve da categoria. São muitos os exemplos.

Para nós, enquanto Anarquistas Organizados, fazer memória é se colocar em luta junto, ao lado, ombro a ombro, com os e as de baixo, com aqueles e aquelas que sistematicamente são violados e encontram nas resistências cotidianas a sua dignidade e a sua rebeldia. Para nós, fazer memória é manter sempre presentes aqueles e aquelas que entregaram suas vidas em uma luta sem tréguas contra a tirania. Manter viva a memória dos e das que tombaram no caminho é não dar um só momento de trégua para seus algozes.

Como é sabido e aqui reafirmamos para que não restem dúvidas, nossa ideologia Socialista e Libertária nunca se furtou em dar combate à opressão e ao fascismo, seja qual for sua expressão. Nesse sentido, para nós não há espaço para perdão quando se trata de inimigos ou algozes do povo. Para ditadores e torturadores a única possibilidade é a punição exemplar. Não nutrimos qualquer esperança nas curtas e insolentes promessas da “transição democrática” e nem na justiça burguesa, ambas subservientes e legitimadoras de um processo pactuado e tutelado pelos generais que manteve “anistiados” todos que torturaram e mataram, dando carta branca para que a violência e os crimes do aparato repressivo do Estado permaneçam ocorrendo.

Vale destacar que o pacto de silêncio e esquecimento que foi selado por cima nos momentos finais da ditadura manteve o povo distante da história e da verdade sobre o que ocorreu naquele período. Infelizmente esse pacto manteve sob velado sigilo as barbáries que ocorreram nos porões do regime, nas delegacias e até mesmo em céu aberto. A (des)memória resultante desse processo alimentou em amplos estratos da população falsos entendimentos, onde justiça passou a remeter revanchismo e as denúncias dos crimes e abusos cometidos foram relativizadas sob o argumento mentiroso de “combate a subversão” naquilo que seria “uma guerra interna”.

Além disso, o silêncio que supostamente garantiria a conciliação manteve as condições para que os vermes, de tempos em tempos, voltassem a se apresentar como solução para os problemas do país. É por isso que os identificamos. É por isso que denunciamos seus crimes. É por isso que estampamos nas ruas as suas faces sombrias. É por isso que lhes chamamos pelo que realmente são: TORTURADORES e ASSASSINOS!

Nem perdão, nem esquecimento!
Memória é Resistência!

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

 

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