Greve do magistério RS 2019: balanço e perspectiva

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Entre peleias mil nesse 2019, veio a Greve do CPERS. Fazendo um balanço da greve, gostaríamos de fazer uma breve retrospectiva: pré-greve, durante e pós-greve.

Iniciamos o ano com ataques de todos os lados. No cenário Nacional, vemos duros golpes desferidos na classe oprimida seguindo a política neoliberal do Chicago Boy Paulo Guedes. Nos nosso pagos, os ataques chegam via desmonte dos serviços públicos.

No entanto, mesmo sabendo que uma luta dura se avizinhava, pouco se mobilizou até a entrada em greve propriamente dita. Desde abril, estávamos em estado de greve, e ainda assim não fomos às escolas conversar com as bases. Estoura a greve e lá estamos nós correndo atrás do tempo perdido.

No entanto, por mais que não tenhamos feito um efetivo trabalho de base, trabalho de ir até as escolas escutar e discutir o que estava por vir, a greve irrompe com força, tanto na categoria como com apoio popular.

O magistério é empurrado para a Greve por suas condições precárias de trabalho e com o Pacote proposto pelo governo vai tornar ainda mais precárias as condições de manter-se na carreira docente.

Direções sindicais acusam bases de não terem consciência, enquanto bases acusam o Sindicato de jogo político-eleitoral. Mas, apesar de tudo isso a greve é forte; o Pacote da Morte mexe de forma tão profunda e agressiva com os direitos historicamente conquistados pelo professorado que, inclusive, quem nunca fez greve aderiu à briga.

Cabe destacar que essa greve se constitui um marco na luta contra o Neoliberalismo. O pacote segue à risca a cartilha neoliberal de políticas de Austeridade, cortes nos serviços públicos e forte incentivo à iniciativa privada (isenções fiscais, alívio das dívidas para os grandes devedores do Estado, sem contar a Lei Kandir que só favorece o latifúndio). Seguindo a cartilha, já perdemos garantias previdenciárias; o segundo round será para cima do plano de carreira, possivelmente só pra segunda metade de janeiro.

A incógnita é: e depois? A principal pauta de reivindicação era a retirada do Pacote na íntegra. Se o restante do pacote for aprovado, batalha perdida. E talvez isso abra margem para pensar um novo sindicalismo, pois as críticas condições de mobilização que vemos hoje, são as consequências sentidas e os limites de uma dinâmica sindical pautada pela via social democrata.

A via que aposta nas conversas em gabinetes e câmaras, com ameaças eleitoreiras a deputados e vereadores, e deixa de lado o debate efetivo com aqueles que estão dispostos a luta. Via que prefere a conciliação do que apostar na força de um dos maiores sindicatos da América Latina. Talvez tenhamos aí um ponto crucial para os próximos tempos. A retomada pela base do poder combativo e de resistência de um sindicato histórico, que fez seu nome em tempo árduos da Ditadura Cívico-Empresarial-Militar. Lembrar que, com inimigo, não tem conversa, tem é luta.

Pacote sai do regime de urgência, categoria suspende a greve? E mobiliza novamente quando o pacote voltar?  Ou a greve segue até a retirada definitiva do que sobrou do pacote? Num plano ideal, mesmo derrubando o pacote na íntegra, temos duras batalhas pela frente: OS’s, PPP’s, escola cívico-militares, municipalização, terceirização, Reforma do Ensino Médio… Essa é uma primeira batalha nessa nova etapa no avanço neoliberal.

Nesse momento cabe fortalecer a luta do magistério, mas sem deixar de fazer a devida crítica. Cabe também pensar o sindicalismo de amanhã, para não precisarmos pautar nossas lutas pelo ritmo do ataque do governo nem enxugar gelo como tem acontecido. A luta do Funcionalismo Público do RS, e em especial a luta dos servidores da educação, representam hoje a luta contra o projeto neoliberal que varre o mundo contemporâneo.

Não tá morto quem peleia!
Defender a educação nas ruas!
Nossas urgências não se negociam no diálogo com os deputados!
Falta dinheiro pra educação porque sobra pra repressão!

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